Projeto estrutural em Florianópolis: a estrutura que aprendeu a conviver com o mar

Modelo tridimensional em 3D de um elemento de concreto armado, exibindo o volume e a conexão exata entre uma viga e um pilar de concreto.

Em bairros como Ribeirão da Ilha e Santo Antônio de Lisboa, as casas açorianas ainda contam a mesma história: foram erguidas com a fachada voltada para a rua principal e os fundos para o mar. Pedra, cal, madeira, e óleo de baleia como impermeabilizante, numa época em que o concreto nem existia. Essas construções resistiram a séculos de maresia porque seus construtores entenderam algo que continua valendo hoje: numa ilha, toda decisão construtiva é também uma negociação com a água e com o vento.

Florianópolis cresceu muito além daqueles núcleos coloniais, mas a lógica que sustentou essas primeiras casas não desapareceu, só mudou de forma. O litoral catarinense ainda exige da estrutura uma escuta atenta à sua condição geográfica, mesmo quando o projeto é um apartamento contemporâneo de vidro e concreto a quilômetros do casario histórico.

Uma ilha que construiu de costas para o oceano e de frente para ele ao mesmo tempo

A arquitetura açoriana de Floripa tem uma particularidade pouco lembrada fora do campo da história: as casas eram geminadas, simples, voltadas pra rua, e o mar ficava nos fundos, tratado quase como um vizinho de confiança e de risco ao mesmo tempo. Essa ambiguidade, proximidade e cautela, está em toda a identidade construtiva da ilha, e talvez seja a chave para entender o que a arquitetura local sempre soube e que a engenharia estrutural precisa traduzir em números: aqui não se constrói contra o litoral, constrói-se em diálogo com ele.

O que o litoral exige de uma estrutura

A norma brasileira NBR 6123 estabelece a velocidade básica do vento para cada região do país, e regiões costeiras como o litoral de Santa Catarina exigem atenção redobrada a essa carga, especialmente em coberturas, fixações e estruturas mais esbeltas. Negligenciar essa força, tratando o vento como detalhe menor do projeto, é repetir em concreto armado o mesmo erro que a maresia já ensinou há séculos às fachadas de madeira: o que não foi pensado para o litoral, o litoral cobra de volta com o tempo.

Some a isso a proteção contra corrosão das armaduras em ambientes agressivos, mais uma exigência que ganha peso redobrado perto do mar, e fica claro que projetar em Floripa pede um tipo de atenção que projetos de regiões mais protegidas não exigem com a mesma urgência.

CZ! e o método Estruturas Harmônicas

É esse tipo de escuta que orienta o trabalho da CZ! Engenharia Estrutural. O método Estruturas Harmônicas parte da ideia de que a estrutura deve nascer junto com a arquitetura, não ser encaixada nela depois. Numa cidade insular como Florianópolis, isso significa considerar o litoral desde a concepção: a carga de vento que a NBR 6123 exige, a durabilidade das armaduras frente à maresia, e a forma como o projeto arquitetônico já dialoga, ou deveria dialogar, com essa condição.

Trabalhar estrutura na ilha é entender que cada metro mais perto do mar muda a conversa técnica, e que respeitar isso é parte de respeitar a intenção do arquiteto que desenhou aquela casa, aquele prédio, voltado pra paisagem que a cidade sempre teve.

Construir numa ilha é negociar com a água

As casas açorianas de Ribeirão da Ilha continuam de pé porque foram pensadas para o lugar onde estão, não para um lugar genérico qualquer. Um bom projeto estrutural, hoje, carrega essa mesma intenção: ser específico ao litoral que vai habitar, em vez de tratar o mar como cenário e não como força real atuando sobre cada viga, cada laje, cada fixação de telhado.

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